Midsommar

19 de setembro, lançou nos cinemas brasileiros Midsommar, novo filme de terror do diretor Ari Aster. Em 2018, Ari dirigiu Hereditário, que foi aclamado tanto por público quanto por crítica.

Assim que assisti Hereditário, depois de tantos elogios, saí meio indignado, pois, creio que pela expectativa, estava esperando um filmaço e recebi um filme regular (não era um excelente, porém, estava longe de ser uma bomba).

O que mais me incomodou no filme foi o jeito que a história foi apresentada e o seu final fraco e desnecessário. Não tinha como negar que o diretor Ari Aster sabia construir um filme de terror psicológico, porém, não sabia muito conduzir sua história, forçando exposição nos minutos finais, e arrastando sua trama na primeira metade.

Agora, com o lançamento de Midsommar, devo dizer que me surpreendi, não só o filme é superior, como também evita os erros de Hereditário.

O filme conta a história de Dani, interpretada por Florence Pugh (que está muito bem no filme), que acompanha seu namorado, Christian, interpretado por Jack Reynor (o pior dos atores principais) e seus amigos, Mark (Will Poulter), Josh (William Jackson Harper) e Pelle (Vilhelm Blomgren) em uma viagem para a Suécia. O motivo da viagem é conhecer a comunidade fechada em que um deles faz parte.

Apesar do começo do filme ter alguns vícios do diretor, como algumas cenas de ponta cabeça e alguns sustos sem sentido, o filme flui tranquilo até a chegada à comunidade.

A partir daí, o filme brilha, e somos apresentados a uma mistura de beleza, mistério, cenas perturbadoras e paranoia.

O maior acerto do diretor é saber balancear tudo isso, uma tarefa bem difícil, onde ele se sai muito bem. Ele consegue manter um ritmo constante de perigo e ao mesmo tempo interesse. Como se quiséssemos sair dali, mas ao mesmo tempo queremos saber de tudo que está acontecendo.

Outro contraste que acontece é nas cenas de dança, ou canto, temos uma mistura de beleza e terror, pois ao mesmo tempo que vemos uma fotografia e uma música belíssima, sentimos medo pelas consequências de cada ato dos personagens.

E se o filme tem alguma falha, essa falha fica evidente em alguns personagens. Felizmente, Dani é uma ótima personagem, e é sufocante vê-la em cada cena. Porém, seu namorado e seus amigos são quase descartáveis. Seu namorado quase cai no estereótipo, suas cenas só convencem por conta da própria Dani. Seus amigos não servem muito a trama, principalmente Pelle, que deveria ser muito importante, já que serve de ligação aos dois grupos (os turistas e os locais), porém, some quando a trama avança.

O resto dos personagens, os locais, são todos excelentes! Com aquele sorriso clássico, que nos entrega uma mistura de cinismo e ameaça.

O filme acerta muito na construção da comunidade e sua cultura, apesar de tudo parecer inspirado em comunidades desse tipo, os rituais em si parecem algo original e único.

E o maior acerto dessa construção sem dúvida é a colaboração entre a fotografia e figurino. O figurino é maravilhoso, colorido e diferente entre os personagens, o que ajuda a dar destaque a cada um deles. E a fotografia ajuda, com contraste bem intensos e bem iluminado. São decisões interessantes, principalmente em um filme de terror, onde tudo geralmente é cheio de cores frias e escuras, apresentando filmes cheios de escuridão.

Aliás, o objetivo do filme em momento nenhum é assustar, mas sim incomodar e nos deixar desconfiados. Creio que alguns até o colocariam em suspense, ao invés de terror. Mas o diretor faz questão de exagerar nas cenas de violência e terror, exatamente pra não esquecermos o tipo de filme que é.

Apesar das cenas chocarem, confesso que achei um pouco demais, pois parecem um pouco fora de contexto (principalmente uma cena de suicido no meio do filme).

No final, sai com uma experiência bem positiva do filme. O diretor parece bem seguro nesse filme, além de não ter aquele final super-explicativo como tivemos em Hereditário. O filme causa um incômodo, que vai nos levando até o final, grandioso e com um misto de tristeza, beleza e terror.

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